sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...

Será que eu falei
O que ninguém dizia?
Será que eu escutei
O que ninguém ouvia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...

Música não define perfil
Mas música mostra quem eu sou

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Eu te vi ali

Entre alguns rostos, ali e a cá
Lá te vi
Como uma rosa num campo de concentração
Como uma onda que veio do mar
Como o acorde de um violão qualquer
Lá estava, a imagem
A perfeição
De um rosto qualquer
Que ao outros seria apenas mais um na multidão

Muito fácil fazer previsões depois do que aconteceu
Fácil chamar sua atenção, já depois que ela se foi
Fácil dizer que te amo pela tela do computador
Difícil encontrar o caminho para perto de você
Mas eu tô ligado!
Vai chegar a hora
E quando chegar a hora
Será muito mais legal

Tá bom
Tá legal
Ela se foi e o ônibus chegou
E o tempo não deu
E quem se atreviu a ver
Perdeu a ocasião

Mas se me perguntar de onde veio esse agrado
Eu vou gritar
Alto pra lá das montanhas
E na avenida nós vamos passar
Pra ver onde tudo vai desaguar
E sem saber que o fim já vai chegar
Pois daqui vou pra Prasarguá
E de lá não vou rimar
E ninguém vai reparar

ao pudor da minha amiga!
minha irmã fingida
a estrela do conselhos
ao distanciar-nos
AMO-TE

sábado, 9 de fevereiro de 2008

LUTO

Derramamos lágrimas falsas
Fingimos sentimentos
Pedimos pesames
Mentimos para nós mesmos

Usamos faixas pretas
Sem significado coerente
Seja pela imagem, pela expressão
ESTAMOS MENTINDO
Choramos por desconhecidos que são conhecidos
Choramos aos pés dos caixões
ESTAMOS MENTINDO
Ao garoto na cama de hospital
Não fingimos, sequer sentimos

Ao vizinho,ao padeiro,ao escritor,ao cantor(..)
Levamos rosas às suas tumbas

Será que verdadeiramente sentimos a perda?
Será que realmente sentimos muito?
Será que a cada lágrima falsa derramada sobre os corpos, estamos ali despejando sentimento?

Todos morrem e todos morrerão
Não levantem as espadas da misericórida para os mortos

Levantem as espadas para os quase mortos
Chorem pelos quases mortos
Chorem pelos esquecidos nas camas de hospitais

E cá fica o semi-pedido de compreensão:
Não finga o sentimento da perda,sinta-o
Pense realmente se para você aquela perda realmente valeu em seu coração
Esqueça a imagem do irredútivel ser humanitário e reflita com sinceridade

Você realmente está de luto por aquele que se foi?