quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Foi o dia que a cidade parou

Estava escuro, não porque era noite mas porque havia uma grande e imensa nuvem
Negra, densa e assustadora
Por que será?
Nada ,exatamente nada
Dia normal
Ano normal
Hora normal
Mas o que há bino?
Nada ,exatamente nada

É tá tudo bem- diziam os assassinos de preto
Tudo vai ficar bem- diziam os loucos com faixas brilhantes
Saí da frente mané- diziam os que estão atrás de mim
Talvez não esteja, a cidade parou
E agora bino?

Perdi o momento da noiva levantar o véu
Perdemos o massacre na tv
Houve o momento de reflexão, mas só um momento
E lá ficamos, todos nós, parados,brincando de estátua

E a cidade parou, os becos lotados
As vielas superlotadas
As avenidas entupidas

Vamos visitar o passado
Mundo distante, passado muito além
Onde a pessoa não valia pelo que ela é
Só valia por aquilo que ela tem
Vamos assistir ao naufrágio
De um Titanic pesado e frágil
Que foi à pique sem dó nem piedade
Pela febre da ganância, pela falta de humildade

Vamos perdoar aquela gente
Que não soube enxergar um pouquinho na frente
E secou tudo até a última fonte
Queimou a floresta, matou a semente
E lá ficou
Com a Av.Paulista e a Consolação

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